1 - Minha retrospectiva
Necessária essa retrospectiva de vida para demonstrar minhas relações com família, cidade natal, escolas, trabalhos desenvolvidos ou lugares por onde passei, nunca tendo incorrido em quaisquer atos ilícitos.
Meu nome é Joel Santos Filho, sou brasileiro, divorciado, advogado e consultor, nascido em 01 de novembro de 1954, natural de Curitiba/PR, residente e domiciliado nesta mesma capital.
Iniciei e conclui meus estudos em escola pública e minhas atividades laborais começaram aos 15 anos de, concluindo os estudos em período noturno e trabalhando de balconista em loja de armarinhos, situada no centro de Curitiba, seguindo a trabalhar como vendedor da enciclopédia BARSA, corretor de Montepios; além de funções em Banco de Investimentos, Multinacionais, e, várias outras empresas.
Depois dessa fase, conclui minha formação em julho de 1985, graduando-me em Direito, e, pós-especializando-me em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo, e com mestrado pela USP em convênio com a Austin University of Texas na seqüência, entre outras atividades curriculares.
Após essa fase de custeio de estudos, continuei como consultor técnico, com empresa própria de consultoria. Assim, várias atividades e projetos foram desenvolvidos para entidades como: Ford Financiadora, Editora Pini (Revista Construção), Central de Comunicações da Fundação Teatro Guaíra, Coosipe (Órgão da Secretaria de Justiça do Paraná), até o ingresso na Administração Pública Estadual, em um cargo de comissão no Instituto de Previdência do Estado, onde tive oportunidade de desencadear o processo de modernização administrativa do Instituto. Participei, com anterior experiência de consultoria, na concepção e montagem do Instituto de Previdência do Estado de Rondônia. Ainda no Estado do Paraná, passei por Instituições como FIDEPAR (Fundação Instituto de Desenvolvimento de RH do Paraná), FUNDEPAR (Fundação de Assistência aos Municípios do Paraná), e URBS (Companhia de Urbanização de Curitiba).
Nessa época, desenvolvi atividades oficiais de captação, execução e projetos junto à Universidade de São Paulo, em conjunto ou coordenado com os professores do IA-USP. Paralelamente, diversos outros temas foram feitos e concebidos em termos de projetos e consultorias, tais como: campanha majoritária para o Governo de Rondônia, bem como a consultoria efetivada em várias Secretarias de Governo, além da Prefeitura de Porto Velho, onde foi implementado o Plano Diretor da Capital. Seguiram-se daí, várias outras iniciativas consultivas como: Ford, Rede Globo, Fundação Roberto Marinho, Editora Pini, Sadia, Rede Manchete (vários projetos – alguns que variam de festivais de música e empreendimentos artísticos até a aquisição de farmácias, onde fui durante um período empresário do ramo).
Em 1992, encontrava-me no exercício da advocacia, quando fui convidado pelo então Secretário de Educação Elias Abraão, e seu assessor Abdala Radi Maftum, para exercer cargo de direção e assessoramento superior (DAS-4) em Brasília/DF, como Diretor Adjunto de Operações para a Secretaria de Projetos Educacionais Especiais do Ministério de Educação e do Desporto no que trata da construção, implantação e operacionalização dos CAICs (Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente); exerci nesse Órgão, por várias vezes, as funções de Diretor de Operações bem como Secretário Nacional, representando o titular, inúmeras vezes em inaugurações de Unidades de Serviços, em vários Estados da Federação, onde tive os primeiros contatos com licitações públicas de grande porte. (Aqui começou a convivência com o assunto de licitações).
Saí desse Ministério, em 1995, por motivo de doença paterna (deixei Brasília/DF para cuidar de meu pai em Curitiba/PR). Posteriormente, desenvolvi ainda alguns projetos de consultoria na Capital Federal para o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Em função de gostar da cidade de Brasília e possuir vários contatos e amigos, vinha desenvolvendo atividades como consultor e assessor de projetos para empresas públicas e privadas. Além de consultoria multidisciplinar, respaldado por instituições como USP, IA-USP, ADIFEA-USP ( através de alguns de seus consultores ), FUBRAS - Fundação Franco Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento, etc.
Em 2002, participei como consultor do Projeto “Esporte na Escola”, a convite do próprio Ministério e Secretária de Educação do Paraná. Após, e até o ano de 2005, continuei a desenvolver as atividades de consultoria multidisciplinar e também em clubes de serviços como o Rotary e atividades ligadas à micro e pequenas empresas, através da Associação de Micro e Pequenas Empresas de Curitiba e Região - AME CURITIBA e da FAMPEPAR (Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas do Paraná).
Entre homenagens outras, ao longo da vida, fui agraciado com a medalha de “Ordem do Mérito do Pioneiro”, concedida pelo Clube dos Pioneiros de Brasília, por relevantes serviços prestados para o Governo e ao Distrito Federal.
Do meu nascimento em 1954 até janeiro de 2005, uma vida normal de um cidadão brasileiro, que se emocionava ao toque do hino nacional, ao desfraldar da bandeira; com esperanças, sonhos, lutas, vitórias e derrotas, sem nunca ter perdido a vontade de prosseguir...
2 - Prisão e Mérito
09/06/2005 - Prisão
7h00 da manhã do dia 09/06/2005, minha ex-esposa telefonou-me dizendo que havia umas pessoas “de preto” me procurando, e que seriam da Receita Federal, dizendo-se assustada, pois não entendia como teriam entrado no prédio equipado com câmeras e alarmes, e chegado até o apartamento dela, situado no 7º andar de edifício em Curitiba. (Estávamos separados já desde o início de fevereiro/2005). Morei em nosso antigo endereço, ainda naquele mês de fevereiro, para finalizar consertos e pintura para vistoria de entrega do imóvel, quando aluguei, um sobrado, localizado próximo à escola de meus filhos.
Como já sabia do que podia se tratar e nada temendo, pedi que repassasse para esses agentes meu novo endereço, imaginando que os mesmos viriam para tomar meu depoimento, entregar algum tipo de notificação com relação ao escândalo dos Correios que começava a fervilhar.
Perto de dez minutos após, encontravam-se já em minha porta. Quando os atendi, iniciou-se aquele que seria o primeiro dos piores dias que viriam a ser os mais longos, nervosos e depressivos de minha vida. Deram-me “voz de prisão”, alegando que a partir daquele momento estaria preso e que saberia a razão posteriormente. Disse-lhes que imaginava, que seria sobre o denominado “escândalo dos Correios”, e perguntei-lhes se haviam prendido também o Sr. Mauricio Marinho ; calaram-se; Indaguei-lhes então por que razão e baseado em que eu estava recebendo voz de prisão naquele momento. Disseram-me que era baseado em processo. Indaguei: com base em qual processo? Administrativo? (“Sim, porque judicial não poderia ser, uma vez que não recebi nenhuma citação ou notificação a respeito.”). Disseram-me que não estavam ali para responder as minhas indagações e sim para me prender e que teria meus direitos assegurados, perguntando-me a seguir se eu iria resistir, engatilhando suas armas em minha direção (força tarefa, ao que lembro, formada por dois delegados federais vindos de Brasília, mais quatro ou cinco agentes, todos fortemente armados). Respondi que, apesar da piada não risível e de muito mal gosto, não iria resistir. Em seguida, entraram em minha residência, solicitaram a presença de um vizinho e mais um passante, qualificando-os em seguida, e começaram a revirar móveis, gavetas e tudo que lhes parecesse “suspeito”, enquanto, um dos delegados de Brasília me inquiria sobre todos os fatos ocorridos, com flagrante tendência à incriminação, pois suas perguntas encerravam a intenção de que era eu um pervertido perturbador da ordem pública, espião pago e delator barato (parecia que já vinham com seu juízo formado a meu respeito).
Notei que pegaram muita coisa, mas nem sei o que exatamente (parecia um pesadelo). Mexeram realmente em tudo e, a partir de então, acondicionaram todo aquele conteúdo que achavam ser suspeito, prova ou material de investigação, e me colocaram num automóvel descaracterizado da Polícia Federal. Fui conduzido à sede da Polícia Federal em Curitiba. Em seguida, na delegacia, fiquei em uma sala, num andar superior durante longo tempo, aguardando instrução.
Conduziram-me a seguir para um interrogatório e disseram-me que teria direito a um advogado, mas, como tinham me tomado ou aprendido os telefones celulares, agenda de telefones e serviços e me encontrava sem qualquer documento ou informação, apenas com a roupa que os atendi, não teria como localizar nenhum advogado.
Naquele momento de tensão não me lembrava de nenhum nome ou número de telefone que me levasse a algum advogado, vez que, haviam já apreendido todos os meus documentos, valores e pertences pessoais, como agenda de endereços ( PALM), micro etc., dos quais até a presente data prescindo; sendo que, dos apenas 40 que até agora foram indiciados e, de forma inequívoca são detentores de culpa, como Marcos Valério p/ex., nada levaram, e seus computadores e pertences foram-lhe devolvidos logo após as investigações ( Muito justo não??!!, afinal ele era apenas um operador de CAIXA 2, mas o bandido que cometeu o crime de coletar a prova de corrupção era EU ).
Solicitei então, uma lista telefônica, mas não conseguia localizar com exceção de um parente, o qual lembrava nome e sobrenome, o qual tentei, em vão, contatar, porquanto fui informado pelos policiais que naquele momento, coincidentemente teria dado alguma pane no sistema de telefonia da Polícia Federal. Após, disseram que eu teria que dar meu depoimento, caso contrário seria exposto há mais de quarenta jornalistas que já se encontravam na recepção da Polícia Federal. Fui conduzido a uma sala, onde se encontravam três delegados, um escrivão e um agente. Iniciaram ditando ao escrivão “que me foi oferecida a oportunidade de contatar meu advogado e que eu não quis fazer uso dessa prerrogativa”. Discutiram se deveriam ou não extrair uma nota de culpa para o meu caso e assim o fizeram (interessante que usualmente a nota de culpa aplica-se p/ situações de flagrante, mas, ..., quase 1 mês após o acontecido?!!) Também relacionaram documentos e objetos retirados de minha residência e escritório( que hoje sei que estava bastante incompleta), entregando-me uma das vias.
E iniciei meu depoimento, bastante confuso, com tudo aquilo, e muito nervoso, pois tudo passa pela cabeça, a família, os filhos, os amigos, as más interpretações que daí adviriam, etc ( têm-se a nítida impressão de que se conspira contra quem denuncia). A partir daí, o telefone da PF começou a funcionar e pude ligar para o único número que lembrava de cabeça que era de minha ex-esposa, pedindo-lhe que providenciasse roupas, pasta dental, sabonete, enfim, pois disseram-me que havia a possibilidade de eu ser conduzido para a Capital Federal. Desliguei o telefone, ofereceram-me almoço (que recusei), e perto das 14h00 aproximadamente 15 minutos depois, quatro agentes, fortemente armados, com fardamento especial, conduziram-me, algemado até o andar de baixo daquele prédio, onde esperavam com uma viatura, a qual tomou o caminho do aeroporto do Bacacheri (não deu tempo para pegar NADA, fui apenas com a roupa que vestia e, consegui levar alguns medicamentos que dispunha para dor ciática), disseram-me que iria embarcar para Brasília.
Chegando em Brasília por volta das 23 horas e 30 minutos um helicóptero da Polícia Federal já aguardava e terminou por conduzir-me até a sede da PF em Brasília , a imprensa já esperava com câmeras, perguntas e holofotes ( ficando claro que nos fora dito que não seria permitida a exposição à imprensa falada ou escrita. Vale dizer que, quando em Curitiba tomaram meu depoimento sem a presença de um advogado e, sob forte ameaça emocional, dizendo textualmente que era eu quem sabia..., ou me entregariam à sorte dos quase 40 repórteres que se encontravam na ante sala. Ora!!, nunca fui militante, ativista ou mesmo, não lembro em minha vida de ter passado por situação tão constrangedora, pois nessas ocasiões, quem não tem esse costume, preocupa-se apenas com seus filhos, parentes, amigos,..., enfim, não pensa. Passamos a pensar, repensar , ruminar apenas depois de passado muito tempo! Fosse hoje, aceitaria; e perguntaria à toda a imprensa o que eu estava fazendo lá? Preso!, e Marinho, que fazia solto, ele que foi flagrado recebendo propina defronte toda a nação brasileira?
Fiquei aguardando durante aproximadamente 3h00 em um local de isolamento, onde, após mais ou menos uma hora e meia, uma pessoa indicada por Artur ( amigo que havia-me pedido que o ajudasse à participar das licitações nos Correios, mas que, o grande óbice era Mauricio Marinho, o qual, via de regra solicitava pedágio aos pretendentes ), trouxe 1 saco contendo 1 cobertor tipo corta febre, 1 lençol, 1 conjunto moleton, 1 escova dental, 1 creme dental, 1 sabonete, 1 par de meias e 2 peças de roupas de baixo. Conduziram-nos à carceragem, orientando-nos a retirar cintos, cordões, sapatos e qualquer objeto que pudesse produzir ferimentos ou mesmo levasse-nos ao cometimento de suicídio. Ao que cheguei à carceragem perguntaram-me se eu dispunha de documentos comprobatórios de meus cursos superiores, ao que respondi que todos os meus documentos encontravam-se em posse dos agentes que me trouxeram e estavam naquela sede da PF em Brasília. Mesmo assim, disseram-me que iria passar a noite em cela comum, por não poder provar a conclusão de curso superior.
Pedi que disponibilizassem os meus remédios, os quais conseguiram trazê-los em meus bolsos, mas que dariam apenas por mais três ou quatro dias. Remédios para pressão, para o fígado, e outros frutos de um mal resultado de exames, e, principalmente fortes dores no nervo ciático.
A partir daí fui encaminhado à uma cela ocupada por um chinês de nome Lao Kim Shon ( Aquele mesmo, acusado de pirataria, contrabando e evasão de divisas em SP e tido como o maior contrabandista no gênero e flagrado dando propina p/ o sindicalista e Deputado Luis Antônio Medeiros). Lençóis ou mesmo cobertas, ao que me dispus incontinenti a ocupá-lo acomodando-o ao chão da cela, seguido de minha costumeira higiene. Dormi como se tivesse desmaiado... E talvez tenha.